SEO

Desafios na internacionalização de conteúdo orgânico

Ir para a próxima fronteira é sempre empolgante. Novos mercados, novas oportunidades, um crescimento exponencial. Mas então você percebe que seu site perfeitamente otimizado que ranqueia na primeira página para termos importantes no seu mercado local simplesmente não aparece nos resultados de busca em outros países.

Você traduz todo o conteúdo para três idiomas, investe meses nisso, e continua invisível nas buscas internacionais. O que deu errado?

O SEO internacional é fundamentalmente diferente de simplesmente fazer SEO “mais vezes”. Não é questão de traduzir seu site para espanhol e esperar que ele ranqueie na Espanha da mesma forma que ranqueia em Portugal.

Cada mercado tem seu próprio cenário competitivo, comportamentos de busca únicos, preferências culturais específicas, e – talvez mais importante – o Google trata cada versão regional do seu site como uma entidade separada cuja autoridade está mais perto do zero.

A complexidade técnica também cresce exponencialmente. Você precisa sinalizar corretamente ao Google qual versão do conteúdo serve para qual país/idioma através de tags hreflang. Precisa decidir entre estrutura de subdomínios, subdiretórios ou domínios completamente separados.

E precisa fazer tudo isso enquanto mantém performance técnica excelente, experiência de usuário consistente, e sanidade da sua equipe. Este guia vai te mostrar como navegar esses desafios sem se perder no caminho.

Por que SEO internacional é exponencialmente mais complexo

O primeiro choque de realidade é que autoridade de domínio não se transfere automaticamente entre versões internacionais do seu site. Subfolders ou subdomínios herdam parte daquele DA 65 que você construiu ao longo de anos no .com ou .pt, o que tira a força do seu novo domínico .es ou subfolder /es/.

O Google trata cada versão regional como um site mais separado do que unificado que precisa ganhar seus próprios backlinks, construir sua própria relevância, e provar seu próprio valor. É como começar do zero em cada novo mercado, exceto que a “memória institucional” do seu domínio principal oferece vantagem modesta.

A fragmentação de esforços também é real e dolorosa. Quando você operava em um único mercado, cada backlink conquistado, cada peça de conteúdo criada, cada otimização técnica implementada beneficiava seu único site. Agora, esse mesmo esforço precisa ser multiplicado por quantos mercados você quer atacar. Criar conteúdo de qualidade em português já era desafiador – imagine replicar isso em espanhol, francês, alemão e italiano. E não é apenas tradução; é criação de conteúdo localizado que ressoa com cada cultura específica.

A complexidade técnica adiciona outra camada de dificuldade. Tags hreflang são notoriamente complicadas de implementar corretamente – pesquisas mostram que mais de 50% dos sites internacionais têm erros na implementação. Você precisa escolher estrutura de URL que faça sentido tanto para o SEO quanto para operações (spoiler: não existe escolha perfeita).

Gerenciar múltiplas versões do Google Search Console, Analytics, e outras ferramentas rapidamente se torna um pesadelo operacional. Um erro de configuração em um mercado pode afetar a performance em outros sem que você perceba imediatamente.

Obstáculos comuns na expansão internacional:

  • Dilema da estrutura de domínio: subdiretório (.com/es/), subdomínio (es.suaempresa.com) ou ccTLD (.es) cada um tem prós e contras
  • Implementação de hreflang: tags complexas que precisam ser perfeitamente simétricas entre todas as versões
  • Conteúdo duplicado: como evitar penalização quando conteúdo é naturalmente similar entre idiomas
  • Pesquisa de palavras-chave regional: termos que funcionam em um país não necessariamente funcionam em outro
  • Recursos limitados: equipe precisa gerenciar 3-5x mais conteúdo e otimizações com orçamento que não cresceu proporcionalmente
  • Diferenças culturais: o que converte em Portugal pode ofender na Espanha ou simplesmente não fazer sentido no Brasil

Decidindo a estrutura ideal para seu site internacional

A primeira decisão estrutural define muito do que vem depois: como você vai organizar as versões internacionais do seu site? Existem três abordagens principais, cada uma com trade-offs significativos de SEO, operações e custo. Não existe resposta universal “melhor” – apenas melhor para sua situação específica considerando recursos, ambições e realidades do mercado.

Subdiretórios

Os subdiretórios (suaempresa.com/pt/, suaempresa.com/es/, suaempresa.com/fr/) são geralmente mais eficientes para SEO porque toda autoridade de domínio é consolidada. Backlinks para qualquer versão beneficiam o domínio principal.

É também mais simples operacionalmente – um único certificado SSL, uma única conta de hosting, configuração de Analytics consolidada. A desvantagem é que usuários em diferentes países veem o mesmo domínio genérico, o que pode afetar confiança (alemães preferem ver .de, espanhóis preferem .es). Há também risco de que o Google não identifique corretamente geo-targeting.

Subdomínios

Os subdomínios (es.suaempresa.com, fr.suaempresa.com) oferecem uma separação mais clara entre versões enquanto mantêm a conexão com a marca principal. Você consegue fazer um geotargetting para cada subdomínio independentemente no Google Search Console, o que ajuda a sinalizar intenção.

A desvantagem crítica é fragmentação de autoridade – links para es.suaempresa.com não beneficiam diretamente fr.suaempresa.com da mesma forma que subdiretórios fariam. Também há a complexidade adicional de infraestrutura com múltiplos subdomínios para gerenciar. (se você souber usar uma CDN bem, pode transformar isso em vantagem).

ccTLDs

Os ccTLDs (country code top-level domains como .es, .fr, .de) são o sinal mais forte possível de geo-targeting. Usuários confiam mais, e o Google não tem dúvidas sobre qual versão servir para qual país. Além disso, gera uma camada de proteção de sistema: se .fr for hackeado, você garante que os demais não passem pelo mesmo problema.

A desvantagem é a fragmentação total de autoridade algorítmica – cada domínio é completamente independente. Você também multiplica custos (registrar e renovar domínios em cada país) e complexidade operacional (gestão de DNS separados, múltiplos certificados SSL).

Estrutura Vantagens Desvantagens Melhor Para
Subdiretórios (.com/es/) Autoridade consolidada, gestão simples, custo menor Geo-targeting mais fraco, pode afetar confiança local Empresas com recursos limitados expandindo para 2-5 mercados
Subdomínios (es.empresa.com) Geo-targeting claro, separação de versões, moderada consolidação Fragmentação parcial de autoridade, complexidade média Empresas médias com presença em 5-10 mercados
ccTLD (.es, .fr, .de) Máxima confiança local, geo-targeting perfeito, independência Fragmentação total de autoridade, custo alto, gestão complexa Grandes empresas com recursos para investir pesado em cada mercado

Implementando hreflang corretamente (porque erros são caros)

Tags hreflang são provavelmente o aspecto técnico mais importante e mais frequentemente mal implementado de SEO internacional. Elas dizem ao Google “esta página em espanhol é equivalente desta página em português, está em francês é equivalente a ambas” e assim por diante.

Quando implementado corretamente, hreflang garante que usuários vejam a versão certa do seu conteúdo; quando implementado incorretamente, você pode estar servindo a versão errada sistematicamente sem perceber.

A sintaxe é específica e exige precisão absoluta. Cada página precisa referenciar todas as suas versões alternativas, incluindo ela mesma. Se você tem versão em português de Portugal, português do Brasil, espanhol, inglês e francês, cada uma dessas cinco páginas precisa ter cinco tags hreflang apontando para todas as versões.

A simetria é crítica – se página em português referencia versão em espanhol, a página em espanhol DEVE referenciar de volta a versão em português. Assimetrias fazem o Google ignorar as tags completamente.

Os códigos de idioma seguem padrão ISO 639-1 (pt, es, fr, en) e códigos de região seguem ISO 3166-1 Alpha 2 (PT, BR, ES, MX). Você pode especificar apenas idioma (hreflang=”es” serve espanhol global) ou idioma-região (hreflang=”es-ES” para Espanha, “es-MX” para México).

A tag x-default é especial – ela indica qual versão oferecer quando nenhuma outra corresponde à localização/idioma do usuário. Geralmente você aponta x-default para sua versão em inglês ou para seu mercado principal.

A implementação pode ser feita de três formas: tags no HTML head (mais comum), sitemap XML (mais escalável para sites grandes), ou headers HTTP (para PDFs e arquivos não-HTML). Para sites com centenas ou milhares de páginas internacionais, sitemap é praticamente obrigatório.

A Niara pode ajudar a validar a implementação de hreflang, identificando páginas com tags faltando, assimetrias, ou códigos incorretos. Uma auditoria automatizada poupa semanas de verificação manual e previne erros custosos.

Exemplo de implementação correta no HTML:

html

<!– Na versão portuguesa de Portugal –>

<link rel=”alternate” hreflang=”pt-PT” href=”https://exemplo.com/pt-pt/pagina” />

<link rel=”alternate” hreflang=”pt-BR” href=”https://exemplo.com/pt-br/pagina” />

<link rel=”alternate” hreflang=”es-ES” href=”https://exemplo.com/es-es/pagina” />

<link rel=”alternate” hreflang=”en” href=”https://exemplo.com/en/pagina” />

<link rel=”alternate” hreflang=”x-default” href=”https://exemplo.com/en/pagina” />

Cada uma das outras páginas (pt-BR, es-ES, en) precisa ter exatamente o mesmo conjunto de tags, apenas mudando a URL no hreflang correspondente à sua própria versão.

Localização versus tradução: por que a diferença importa

Aqui está onde muitas empresas cometem erro fatal: tratam expansão internacional como projeto de tradução quando deveria ser projeto de localização. Tradução é converter palavras de um idioma para outro; localização é adaptar conteúdo, mensagens e experiência para ressoar com cultura e contexto específicos do mercado-alvo.

A diferença determina se você vai ser mais um site genérico estrangeiro ou uma presença autêntica que parece local. Considere a famigerada pesquisa de palavras-chave. Você ranqueia bem para “software de gestão de projetos” em português de Portugal.

A tradução literal para espanhol seria “software de gestión de proyectos”, mas usuários espanhóis podem buscar mais frequentemente “herramienta de gestión de proyectos” ou “programa para gestionar proyectos”. Diferenças sutis que tradução automática ou tradutores sem experiência em SEO não capturam. Cada mercado precisa de pesquisa de palavras-chave própria e independente, não apenas tradução dos termos que funcionam no mercado original.

Referências culturais também precisam de adaptação. Um exemplo que funciona perfeitamente em Portugal (referência a programa de TV local, feriado específico, figura pública conhecida) pode não fazer sentido algum na Espanha ou Brasil.

Cores, imagens, até layouts têm conotações diferentes em culturas diferentes. O que é considerado design “premium” em um mercado pode parecer “ultrapassado” em outro. Branco é a cor do luto no Japão. Humor, tom de voz, grau de formalidade – tudo precisa de ajuste cultural.

As chamadas para ação também precisam de localização. “Experimente grátis” pode funcionar bem em Portugal, mas em mercados latino-americanos “Prueba gratuita” ou “Comienza tu prueba” podem ter taxas de conversão diferentes. Formatos de data (DD/MM/YYYY vs MM/DD/YYYY), moeda, unidades de medida, até uso de vírgula vs ponto decimal – detalhes que parecem pequenos mas impactam a confiança e a conversão. Usuários precisam sentir que o site foi feito para eles, não que foi feito para outro mercado e vagamente traduzido.

Checklist de localização além da tradução:

  • Pesquisa de palavras-chave nativa em cada mercado-alvo, não apenas tradução de termos existentes
  • Adaptação de exemplos e referências para contexto cultural local (celebridades, eventos, tradições)
  • Ajuste de tom e voz considerando formalidade, uso de tuteo vs usted, regionalismo
  • Localização de elementos visuais (imagens com pessoas do fenótipo local, cenários reconhecíveis)
  • Formatos locais para datas, horas, moeda, unidades de medida, endereços
  • Considerações legais (GDPR na Europa, LGPD no Brasil, regulações específicas de cada país)
  • Métodos de pagamento e preços ajustados para poder de compra local
  • Testemunhos e cases de clientes no mercado-alvo (não apenas traduzir testemunhos de outro país)

Construindo autoridade local através de backlinks regionais

Um dos maiores desafios de SEO internacional é que backlinks de sites em Portugal têm pouco impacto no ranqueamento da sua versão espanhola. O Google dá peso significativamente maior a links de sites no mesmo país/idioma que a página sendo ranqueada.

Isso significa que você precisa de uma estratégia de link building específica para cada mercado, o que multiplica enormemente o esforço e investimento necessários.

A abordagem varia conforme os recursos disponíveis. Se você está entrando apenas em 2-3 mercados novos, pode fazer link building manual focado: identificar sites relevantes em cada país, construir relacionamentos, criar conteúdo que naturalmente atraia links locais.

Guest posting em blogs relevantes, parcerias com influenciadores locais, patrocínios de eventos regionais – táticas testadas que funcionam, mas exigem tempo e esforço substanciais.

Para empresas expandindo para 5+ mercados simultaneamente é necessário uma abordagem mais escalável. Criar um conteúdo de alta qualidade que atraia links de múltiplos mercados é o ideal, mas difícil. Outra tática é aproveitar relações existentes: se você tem parceiros, distribuidores ou clientes em mercados-alvo, eles são candidatos naturais para links.

A chave é oferecer valor genuíno (conteúdo útil, ferramentas gratuitas, dados originais de pesquisa) que sites locais queiram referenciar organicamente.

Os diretórios locais e citações também importam, especialmente para negócios com presença física em múltiplos países. Listagens no Google My Business para cada localização, diretórios comerciais específicos de cada país, chambers of commerce regionais.

Essas citações locais não apenas geram links mas também validam sua presença autêntica naquele mercado. Para mercados europeus, certificações e selos locais também podem gerar backlinks valiosos de autoridades setoriais.

Estratégias de link building por fase de expansão:

Fase Inicial (0-6 meses no novo mercado):

  • Listagens em diretórios locais confiáveis e relevantes ao setor
  • Parcerias com empresas complementares já estabelecidas no mercado
  • Press releases e cobertura em mídia local sobre entrada no mercado
  • Conteúdo original baseado em dados que atrai atenção de jornalistas locais

Fase de Crescimento (6-18 meses):

  • Guest posting em blogs e publicações relevantes do mercado
  • Patrocínios de eventos, conferências e comunidades locais
  • Pesquisas originais com dados específicos daquele mercado
  • Construção de relacionamento com influenciadores e thought leaders locais

Fase de Consolidação (18+ meses):

  • Criação de recursos definitivos (guias, ferramentas) que naturalmente atraem links
  • Programas de co-marketing com parceiros estabelecidos
  • Conteúdo educacional para universidades e instituições locais
  • Estabelecimento como autoridade através de estudos de caso locais

Gerenciando conteúdo duplicado em contexto internacional

Conteúdo duplicado é preocupação constante em SEO internacional porque, na prática, versões em diferentes idiomas frequentemente têm estrutura e informação muito similares. Uma página de produto pode ser virtualmente idêntica exceto pelo idioma.

O Google entende isso e, quando hreflang está implementado corretamente, não penaliza esse tipo de “duplicação” entre idiomas. O problema surge quando a implementação está incorreta ou quando existe duplicação real sem diferenciação linguística clara.

É um problema fácil de identificar no seu relatório do GSC: vá em “indexação” e veja erros do tipo “crawled – currently not indexed”.

A situação mais problemática é quando você tem múltiplas versões do mesmo idioma para diferentes países (português de Portugal vs Brasil, espanhol de Espanha vs México vs Argentina, inglês britânico vs americano). Aqui a diferenciação linguística é mais sutil e o Google pode ter dificuldade de determinar qual versão servir.

A solução é garantir diferenciação genuína: não apenas algumas palavras trocadas, mas adaptação real de exemplos, referências culturais, casos de uso específicos de cada mercado.

Caso das Canonicals

Canonical tags precisam ser usados com cuidado em sites internacionais. Cada versão linguística deve ter canonical apontando para si mesma, não para alguma versão “principal”. Um erro comum é configurar todas as versões internacionais com canonical apontando para versão em inglês – isso efetivamente diz ao Google “ignore todas as outras versões, apenas indexe a inglesa”.

O conteúdo gerado por usuários (reviews, comentários, FAQs) adiciona complexidade adicional. Se você tem produto global vendido em múltiplos países, as reviews podem ser em idiomas misturados.

Uma estratégia é ter seções de reviews específicas por mercado/idioma, com filtros permitindo usuários verem todas ou apenas do seu idioma. Isso cria diferenciação natural entre versões do site enquanto mantém riqueza de conteúdo social que ajuda conversão.

Priorizando mercados: onde investir recursos limitados primeiro

A tentação ao expandir internacionalmente é tentar estar em todos os lugares simultaneamente. Você traduz o site para seis idiomas, configura versões para dez países, e então descobre que seus recursos são insuficientes para realmente fazer SEO bem em todos eles.

A abordagem mais eficiente é expansão faseada: dominar 1-2 mercados antes de adicionar o próximo. Melhor ter presença forte em dois países do que presença mediocre em dez.

A priorização deve considerar múltiplos fatores além de tamanho óbvio de mercado. Proximidade linguística/cultural facilita uma tomada de decisão – para empresa portuguesa, expandir para Espanha ou Brasil é mais natural que para Japão ou Alemanha.

A competitividade do mercado também importa: mercados grandes, mas com SEO extremamente competitivo podem exigir anos e investimento massivo, enquanto mercados menores e menos maduro digitalmente oferecem oportunidades mais rápidas.

O potencial de reciclagem de conteúdo também deve influenciar decisão. Se você já tem biblioteca extensa de conteúdo em português, expandir para Brasil aproveita esse asset com custo de localização relativamente baixo. Calcule esse ROI de modo realista, considerando não apenas tamanho de mercado mas custo total de entrada e time to break-even.

Fator de Priorização Peso Como Avaliar
Tamanho do mercado Alto População, poder de compra, penetração digital, volume de buscas relevantes
Proximidade cultural/linguística Médio Facilidade de localização, reaproveitamento de conteúdo existente
Competitividade SEO Alto Análise de dificuldade de keywords, autoridade de concorrentes locais
Presença empresarial existente Médio Você já tem clientes, parceiros ou operações naquele mercado?
Recursos internos Alto Você tem falantes nativos na equipe? Orçamento para tradução/localização?
Regulamentação e complexidade Baixo-Médio Barreiras legais, requisitos específicos de compliance

Aspectos técnicos específicos de sites multilíngues

A infraestrutura técnica de sites internacionais precisa suportar múltiplas versões sem comprometer a performance. Cada versão adicional de idioma multiplica o potencial de problemas técnicos: tempo de carregamento pode degradar, gestão de assets se complica, deploys ficam mais arriscados. Planejar a arquitetura técnica desde o início economiza no tylenol.

O sistema de gestão de conteúdo (CMS) precisa suportar nativamente conteúdo multilíngue. WordPress com WPML ou Polylang, Drupal com módulos de tradução, headless CMS como Contentful ou Strapi – várias opções existem, cada uma com trade-offs.

O importante é que o sistema facilite manter versões sincronizadas (quando você atualiza feature em uma versão, é fácil atualizar nas outras?) e que URLs e metadados sejam gerenciados automaticamente por idioma/região.

Uma CDN (Content Delivery Network) se torna ainda mais importante em contexto internacional. Usuários na Alemanha acessando servidor em Portugal vão ter uma latência perceptível. Uma CDN com edge locations globais garante que conteúdo seja servido de servidor geograficamente próximo ao usuário.

Configurá-la para rotear automaticamente baseado na localização do usuário melhora dramaticamente a performance percebida, o que impacta tanto experiência quanto rankings.

A detecção de idioma/localização também precisa ser implementada inteligentemente. Auto-redirect baseado em IP do usuário parece conveniente, mas é frustrante – alguém de Portugal visitando um site enquanto viaja pela Espanha não quer automaticamente ser redirecionado para a versão espanhola.

A melhor prática é detectar a localização e sugerir a versão apropriada através de banner ou popup, permitindo que o usuário escolha. Salve a preferência em cookie para visitas futuras.

Medindo sucesso e ajustando estratégia por mercado

Métricas de sucesso em SEO internacional precisam ser analisadas tanto agregadamente quanto por mercado individual. Um número agregado de “tráfego orgânico total cresceu 25%” pode esconder realidade onde três mercados cresceram 80% enquanto dois caíram 30%. Você precisa de visibilidade granular para identificar o que está funcionando e alocar recursos adequadamente.

O time to traction varia enormemente por mercado dependendo da competitividade, autoridade inicial, e qualidade de localização. Em mercado menos competitivo com boa localização, você pode ver resultados em 2-3 meses. Em mercado hiper-competitivo onde você está construindo autoridade do zero, pode levar de ano a dois.

A atribuição de custos também precisa ser específica por mercado para calcular o ROI real. Custos de tradução/localização, link building regional, criação de conteúdo específico de mercado – tudo deve ser rastreado por país.

Alguns mercados naturalmente terão ROI melhor que outros. Isso não significa abandonar mercados de ROI menor, mas sim ter clareza sobre quais são investimentos estratégicos de longo prazo versus quais devem ser cash flow positive no curto prazo.

O aprendizado entre mercados é valioso quando estruturado apropriadamente. Táticas que funcionaram excepcionalmente bem em um mercado podem ser testadas em outros. Problemas técnicos descobertos em uma versão podem estar latentes em outras. Garante que isso está fluindo na sua empresa, para ninguém virar uma ilha de informação isolada.

Erros caros que sabotam expansão internacional

O erro mais comum e caro é tratar SEO internacional como projeto de tradução pontual em vez de esforço contínuo de localização e otimização. Empresas investem €50.000 traduzindo o site inteiro para três idiomas, lançam as versões, e então… nada.

Sem link building contínuo, sem criação de conteúdo novo, sem otimização baseada em performance. Seis meses depois, elas concluem que “SEO internacional não funciona” quando na verdade só fizeram 10% do trabalho necessário.

Outro erro devastador é a má implementação de hreflang, que passa despercebida. Tags incorretas ou assimétricas fazem o Google ignorá-las completamente, resultando em usuários sendo servidos com a versão errada do conteúdo. Pior, o erro pode existir por meses antes de alguém investigar por que mercado X tem bounce rate 2x maior que outros.

A subestimação de recursos necessários também mata muitas iniciativas. Você calcula que precisa de um tradutor freelancer para versões iniciais, não considerando a necessidade contínua de localizar novo conteúdo, responder a mudanças de mercado, otimizar baseado em performance.

A equação real exige pelo menos 30-40% do esforço de SEO doméstico para CADA novo mercado adicionado. Cinco mercados novos significa dobrar ou triplicar recursos de SEO, não apenas aumentar em 20%.

Por fim, ignorar particularidades legais e culturais pode resultar em problemas sérios. Regulações de privacidade variam (GDPR na Europa, LGPD no Brasil, outras jurisdições). Conteúdo que é perfeitamente aceitável em um país pode ser ilegal ou culturalmente ofensivo em outro. Revisar não apenas para qualidade linguística mas também para adequação legal e cultural deveria ser checklist obrigatório antes de se lançar em um novo mercado.

Conclusão

Expandir SEO internacionalmente é um dos desafios mais complexos e gratificantes do marketing digital. A complexidade é real – multiplicação de esforços, fragmentação de autoridade, desafios técnicos intrincados, necessidade de conhecimento profundo de cada mercado local.

Mas as empresas que executam bem desbloqueiam vantagem competitiva sustentável: elas constroem presença orgânica em múltiplos mercados que continua gerando leads e vendas ano após ano, com custo marginal decrescente.

A chave é abordar expansão metodicamente e realisticamente. Comece com 1-2 mercados prioritários nos quais você tem a melhor chance de sucesso rápido. Invista apropriadamente em localização genuína, não apenas tradução superficial. Implemente infraestrutura técnica correta desde o início, especialmente hreflang.

Construa autoridade local por meio de conteúdo relevante e backlinks regionais. Meça obsessivamente e ajuste a estratégia baseada em dados, não em suposições. Só então adicione o próximo mercado, levando aprendizados do primeiro.

As ferramentas modernas, como a Niara, tornam a gestão de SEO internacional muito mais viável para empresas sem recursos infinitos. Automação de auditoria técnica, validação de hreflang, monitoramento consolidado de múltiplos mercados e criação de conteúdo (do blog à descrição do produto) em múltiplas línguas – funcionalidades que antes exigiam equipe dedicada agora são acessíveis.

A tecnologia democratizou SEO internacional, tornando-o opção realista não apenas para corporações massivas, mas para empresas médias com ambições globais.

Victor Gabry é um especialista em SEO e desenvolvimento WordPress com forte experiência em SEO técnico, automação e análise de desempenho. Trabalhou com marcas de grande escala, incluindo Canva, liderando estratégias de PR digital, construção de autoridade e otimização técnica em plataformas como WordPress, Magento e Wix. Reconhecido como um dos Top 40 profissionais de SEO no Brasil em 2024, combina pensamento estratégico e execução orientada por dados. Atualmente, desenvolve investigação em Ciência da Informação, explorando SEO, análise de redes e metodologias de IA aplicadas ao marketing digital.